quarta-feira, 12 de junho de 2019

O contingenciamento do orçamento da Educação: uma análise mais criteriosa

        No último dia 30, foi realizada em todo o país, uma série de manifestações contrárias ao contingenciamento de parte do orçamento do Ministério da Educação proposto pelo ministro Abraham Weintraub como parte de uma estratégia do Governo de balancear as contas públicas. Nessas manifestações, não se era difícil visualizar cartazes e faixas que diziam "Não ao corte da Educação!", ou então com alguma referência a uma diminuição de 30% do orçamento de tal Ministério. Nessa postagem, a seguinte análise será realizada: será que, de fato, tais reclamações têm embasamento ou são frutos de informações tendenciosas e repassadas incriteriosamente?
        Vamos aos fatos. O princípio básico da Economia é: não se pode gastar mais do que se ganha. E isso é exatamente o que os Governos anteriores estavam fazendo, resultando na seguinte situação: hoje, o país tem R$5,268 bi e deve R$7,683 bi, ou seja, o Governo tem que economizar! Para isso, restrições devem ser adotadas em relação aos gastos públicos, contingenciando os orçamentos dos Ministérios de maior relevância (em ordem decrescente, Desenvolvimento Social, Saúde, Educação, Defesa e Trabalho). Muitos dirão "Ah, mas por que não cortam os salários dos deputadores, senadores, etc?". Logicamente, isso deve ser, sim, feito, mas não resolve o problema! Se forem somados os gastos totais do Governo com a Presidência da República, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Supremo Tribunal Federal, o valor obtido representa pouco mais de 20% do orçamento total do Ministério 'mais barato' citado anteriormente (Trabalho).
        No entanto, voltando à análise do contingenciamento da Educação, temos uma proposta de contingenciar R$1,7 bi do orçamento de tal Ministério, sendo que o seu montante é de R$123 bi. Isso representa um impacto de 1,38%. E, explicando: é contingenciamento, não corte! Será mesmo que não dá pra ser mais eficiente e continuar fazendo o mesmo (ou, quem sabe, até mais) com 1,38% a menos? De onde tiraram 30%? A grande mídia realmente se importa com o desenvolvimento intelectual da população? Perguntas que não querem calar...
        Para subsidiar tais informações, acompanhem o raciocínio construído pelo professor da PUC-SP, Giovanni Botelho Colacicco, Orçamento do Brasil em 2019.

   

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Governo apresenta déficit em março


Como já discutido na matéria de economia (ECO034),o governo assim como as empresas e famílias possui suas despesas e sua receitas.Como demonstrado pela matéria do valor econômico,o governo federal no mês de março não consegui ganhos suficientes para suprir suas despesas,ou seja,o resultado foi um déficit. Embora se comparado com o mesmo período do ano passado o déficit tenha sido menor ainda é preocupante que as contas do governo não estejam balanceadas.
Como também já foi tratado em sala de aula,numa conjuntura econômico desfavorável como a atual uma das políticas que podem ser adotadas pelo governo é a de diminuir despesas e aumentar tributos para tentar melhorar a expectativas dos agentes econômicos principalmente no que tange à retomada do investimento.Por fim, é válido ressaltar que o componente principal para o desempenho negativo das contas públicas foram os gastos com a previdência(22,7 bilhões) demonstrando ainda necessidade de uma reforma.



sábado, 18 de maio de 2019

Inflação: a divisora de águas de políticas monetárias

     O dragão da inflação é muito temido pelos brasileiros há muitas décadas, tendo ele sido o causador de troca de moedas e que, até hoje, dita qual política monetária deve ser aplicada conforme se depare com um quadro de inflação baixa ou alta. A atual situação da mesma é de muita incerteza, sendo que é previsto um pico no curto prazo, com o ano fechando com uma inflação de 5,3%, segundo ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada na última quarta-feira (14/05).
        Por outro lado, é prevista uma diminuição da inflação para o ano de 2020, com a mesma fechando em 5,0%, apresentando um sinal, mesmo que fraco, de que a inflação deve se controlar de maneira que o Governo possa pensar em praticar políticas que visem a expansão econômica. Resumindo, o colegiado afirmou que existem fatores de risco em qualquer uma das Políticas Monetárias que se resolva aplicar, tanto a Contracionista quanto a Expansionista.
        No caso de aplicação de uma Política Monetária Expansionista, o BC afirmou que "(...) o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado (...)" e, no caso de aplicação de uma Política Contracionista, afirmou que "(...) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.".
        Mas, o que afinal são as Políticas Monetárias Expansionista e Contracionista? A Política Monetária Contracionista é aquela que visa o controle da inflação e deve ser utilizada no caso de inflações elevadas, de modo a inibir o consumo e o investimento. Já a política Monetária Expansionista é aquela que visa o maior crescimento econômico, de maneira a estimular o consumo e o investimento. Ambas as políticas, para se conseguir atingir o resultado desejado, devem utilizar de suas ferramentas principais: o Estoque Monetário, a Reserva Compulsória e o Open Market.
        A matéria do Estado de Minas (EM), trazendo mais informações sobre os resultados divulgados na ata do último encontro do Copom, pode ser acessada através do link a seguir


Inflação em 12 meses deve atingir um pico no curto prazo, diz BC na ata   




sexta-feira, 3 de maio de 2019

Indústria fecha o mês de março no vermelho


Segundo o IBGE,  setor industrial teve resultado de -1,3% no mês de março, sendo este seu pior resultado desde setembro do ano passado. O resultado afetou negativamente o mercado pelo fato de ter sido pior do que o -0,7% previsto. Além do que, no acumulado deste ano o setor também apresenta queda de 2.2%.
Podemos destacar como possíveis fatores que explicam esse resultado o elevado nível de desemprego e a instabilidade política. O primeiro está relacionado com o baixo nível de consumo das famílias brasileiras que impactam negativamente as expectativas de vendas e, estas por sua vez fazem com que os empresários não alteram a produção de curto prazo com receio de baixa demanda. Já o segundo, afeta o investimento em capital fixo,a criação de novas plantas e a compra de maquinário por exemplo, mais relacionado a capacidade produtiva de economia brasileira no longo prazo.


terça-feira, 23 de abril de 2019

Consumo de energia elétrica: um exemplo de demanda elástica

        Segundo matéria publicada pelo site 'Canal Energia' na última semana, a agência de classificação de ratings Fitch estima que o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) e o GSF (sigla utilizada para se referir ao risco hidrológico) devem ficar no mesmo patamar dos últimos dois anos, situação que não preocupa muito as companhias elétricas já que, como tal situação já vem sendo enfrentada há algum tempo, as mesmas já estão acostumadas a lidar com essa situação de maior pressão.
        Porém, o que realmente chama atenção para nós aqui do Blog ECO034 é a questão da elasticidade-renda da demanda no setor de energia elétrica. Apesar de se prever uma elevação do PIB entre 2,1% e 2,7% para os dois próximos anos, como dito pelo analista sênior da agência, Wellington Senter, a expectativa de aumento na demanda por energia elétrica é de 3%. Isso porque, como será visto na aula dessa semana pelos alunos da disciplina Economia da Universidade Federa de Juiz de Fora, a demanda por determinado bem ou serviço pode variar desproporcionalmente quando comparada à uma mudança de preço do produto ou serviço ou à variação da renda das famílias (a qual é esperada nesse caso).
        Logo, nesse caso, conclui-se que a elasticidade-renda da demanda do consumidor brasileiro no mercado de energia elétrica é elástica, com valor de aproximadamente de 1,3 (vide fórmula na apostila da disciplina), pois, apesar de ser esperado um acréscimo na renda do cidadão brasileiro, o acréscimo no consumo de energia elétrica esperado é ainda maior proporcionalmente.
        Para ler mais sobre o caso apresentado, acesse PLD e GSF devem ficar no mesmo patamar dos dois últimos anos, aponta Fitch


 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Monopólio: um exemplo prático

 Como já discutido na matéria de economia(ECO034) existem diversos tipos de estruturas de mercado. O monopólio é quando apenas uma empresa atua no setor exercendo controle total dos preços e da oferta, além do que, o produto ofertado não possui substitutos próximos. No Brasil, um exemplo prático de um monopólio é o mercado de petróleo, sendo a Petrobras a única empresa responsável por esse produto tão essencial para diversos setores da economia moderna.
Desde o governo Temer, a Petrobras tem utilizado uma política de preços que segue como base o preço internacional do barril de petróleo e por consequência o aumento deste tende a ser repassado para o consumidor. Essa política foi adotada visando diminuir os prejuízos da empresa devido a política anterior de manter os preços artificialmente baixos fazendo com que a elevação do preço do petróleo internacional fosse arcado pela empresa e não pelo consumidor.
No entanto, com a interferência do presidente da república sobre o valor do diesel, a política de preços da Petrobras fica agora sem uma direção clara.
Para ler mais sobre o assunto acesse :


terça-feira, 9 de abril de 2019

Carro zero: por que sua desvalorização é tão elevada?

        Com certeza muitos já ouviram falar que um carro zero, assim que sai da concessionária, perde uma parcela considerável de seu valor de mercado, e isso é uma crença real. De fato, em média um veículo novo ao ser vendido perde cerca de 10% de seu valor de mercado logo após sua primeira venda. Mas o que muitos não sabem é o por que de tal situação ocorrer.
        Bom... existem diversos fatores que contribuem para essa desvalorização elevada no ato da compra de um veículo zero quilômetro, e, nessa postagem, tentar-se-á enumerar os principais:

1 - Expectativa da vida útil do veículo
     
        Do momento em que um veículo sai da linha de produção, seu tempo de vida começa a ser contabilizado e todos sabemos que um veículo, com os costumes de preservação dos brasileiros, possui um tempo limitado. Logo, assim que o veículo é entregue ao seu proprietário, ele passa a sofrer a utilização do modo que o mesmo foi ensinado (ou não) a fazê-la. Daí, cria-se uma desconfiança mesmo que inconsciente de um suposto próximo proprietário desse veículo de como o primeiro dono cuidou do mesmo e em quanto essa utilização afetou sua vida útil.

2 - Garantia do fabricante:

        O tempo de garantia que um fabricante dá para um veículo varia de marca pra marca e até mesmo de carro pra carro, mesmo que sejam da mesma fabricante. O tempo varia em média de 2 a 5 anos de garantia, tempo relativamente baixo perto do tempo de vida útil que um veículo costuma ter. Porém, após esse período, verifica-se também uma elevada desvalorização no preço do veículo, em taxa bem maior do que de carros seminovos que já passaram do tempo de garantia.

3 - Cor e acessórios:

        Gosto cada um tem um, e, caso determinada pessoa tenha preferência pela cor verde ao comprar um carro zero, ela com certeza terá mais dificuldade em vender esse carro pelo 'preço de tabela' após a compra do mesmo, mesmo ele tendo custado o mesmo preço (ou até mais em caso de pinturas metálicas, perolizadas, etc.) de outros carros de mesmo modelo porém de cores mais comuns (preto, prata e branco). Além disso, veículos com acessórios diferenciados (teto solar, bancos de couro, etc) tendem a ter uma taxa de perda de valor ainda maior, já que o comprador de carros seminovos tendem a pagar 'tabela' no carro, independente desse ter ou não opcionais.

        Para ler mais sobre o assunto, acesse Desvalorização do carro zero: o que acontece ao sair da concessionária?